Temos pressa. Trabalhar é importante. Vagabundear é urgente. Procrastinar, não, minha gente
PROCRASTINAR, SEGUNDO o "Houaiss", é "transferir para outro dia ou deixar para depois; adiar, delongar, postergar, protrair". Mas o que sabem os dicionários? Bichos afoitos, na ânsia de engolir o mundo, mal têm tempo de mastigar cada palavra, de extrair delas todo o sabor e os nutrientes, de modo que a definição acima diz tanto sobre a complexa arte da embromação quanto "forma de interação psicológica ou psicobiológica entre pessoas, seja por afinidade imanente, seja por formalidade social" explica o "amor".
Percebo, porém, que divago. Em vez de encarar o dever proposto no título e falar sobre a procrastinação, a pratico: passeio por enfadonhos arrabaldes, perco-me nas borradas fronteiras da linguagem e do coração. Tudo bem, não há razão para me afligir, pois as crônicas são redondas como a Terra, e às vezes é indo para trás que chegamos ali na frente. Se o parágrafo anterior fugiu à teoria, serve ao menos como demonstração prática do que entendo por procrastinar: adiar alguma obrigação chata arrumando outra atividade igualmente tediosa para pôr em seu lugar.
Veja, caro leitor: ir ao cinema em vez de trabalhar não é procrastinação. É vagabundagem, no melhor sentido do termo. Fazer sexo num sábado de manhã, quando se deveria pendurar estantes, não é procrastinação: é sabedoria, compreensão de que a vida é breve, é besta e que os instintos são muito mais importantes que as estantes. Já abrir o site do banco e ficar digitando a infinita sequência numérica do código de barras de uma conta de luz que só vence no fim de junho, quando se está cheio de trabalho para amanhã, eis o mais nítido retrato da procrastinação. Pois essa praga dispersória é filha de Deus com o Diabo, é um pecado que já vem com penitência. O procrastinador só se permite gozar o adiamento do trabalho maltratando-se no interlúdio. Troca-se de aborrecimento, mais do que dele se desvia; eis como o saci da procrastinação oculta sua presença e surrupia nosso tempo, nossa vida.
Quantas vezes, atrasado na escrita, me pego limpando o antispam, arrumando papéis na gaveta, aceitando solicitações de amizade no Facebook, lendo, na internet, uma matéria sobre a tendência de queda nos juros do financiamento imobi-liário? Nunca, no entanto, nessas inconscientes delongas, me encontro gargalhando com uma crônica do Verissimo, tomando sol no quintal, assistindo a um antigo episódio de "Seinfeld", ouvindo um disco de ska.
A procrastinação é um mal, meus caros, não por arrancar-nos do trabalho, mas por nos grilar o ócio. Não é aferrando-me à labuta, portanto, que pretendo combater este vício, mas buscado forças para me entregar totalmente à lassidão. Da próxima vez que me flagrar pagando conta de luz às duas da tarde, vou desligar o computador, fechar os olhos e repetir os versos de Fernando Pessoa: "Ai que prazer/ Não cumprir um dever,/ Ter um livro para ler/ E não o fazer!/ Ler é maçada,/ Estudar é nada./ O sol doira/ Sem literatura./ O rio corre, bem ou mal/Sem edição original./ E a brisa, essa/ De tão naturalmente matinal,/ Como tem tempo não tem pressa...".
Nós temos pressa. Trabalhar é importante. Vagabundear é urgente. Procrastinar, não, minha gente.
Lucimar Mutarelli
quinta-feira, 31 de maio de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Fará um ano desde a auto-intervenção. Há pouco mais de um ano desde que conheci minha ruiva preferida. Pouco mais de um ano desde um texto meu na tertúlia que tenha amado. 3 anos que o mj morreu. Uns 3 ou 4 anos desde o meu primeiro cigarro. E faz 5 ou 6 anos desde a minha primeira cerveja. 7 anos desde que eu amei alguém pela primeira vez. Quase 10 que eu ouvi Heart Shaped Box pela primeira vez. 11 anos desde as torres gêmeas. Mais de 13 anos que eu descobri que preferiria perder o fígado a ficar surda. E eu: "caralho, o tempo realmente passa."
Ou não.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
sábado, 26 de maio de 2012
cashback movie
"But the reality was much more sexually agressive."
"'Crush'. It's funny how the same word for the feeling of attraction is used for the feeling of disappointment."
segunda-feira, 21 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
question
Body my house
my horse my hound
what will I do
when you are fallen
Where will I sleep
How will I ride
What will I hunt
Where can I go
without my mount
all eager and quick
How will I know
in thicket ahead
is danger or treasure
when Body my good
bright dog is dead
How will it be
to lie in the sky
without roof or door
and wind for an eye
With cloud for shift
how will I hide?
my horse my hound
what will I do
when you are fallen
Where will I sleep
How will I ride
What will I hunt
Where can I go
without my mount
all eager and quick
How will I know
in thicket ahead
is danger or treasure
when Body my good
bright dog is dead
How will it be
to lie in the sky
without roof or door
and wind for an eye
With cloud for shift
how will I hide?
May Swenson
quarta-feira, 11 de abril de 2012
leo's genius quotes
"Our struggle (mine and yours) come from the simple knowledge of the vulnerability our love creates. People who are not bold enough to expose themselves in the name of love always try to deny it. Their fear of hurting themselves makes them unaware of how much they hurt others. Their cowardice blinds them"
Leo
domingo, 8 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
só
No despertar, um amargor — o gosto da ressaca de vida.
E corre-se. Concreto sôfrego e guincho eterno, mais a inércia.
O tempo pinga, distrai-se com os outros transeuntes;
Os viajores vão adocicando — com pseudo-açúcar — as horas inúteis.
Anoitece, e, longe deles, de todos, vem com o acre a gravidade.
E anda-se rente ao chão, sem mesa, nem bar, nem riff, nem corda, nem pele, nem beijo.
E corre-se. Concreto sôfrego e guincho eterno, mais a inércia.
O tempo pinga, distrai-se com os outros transeuntes;
Os viajores vão adocicando — com pseudo-açúcar — as horas inúteis.
Anoitece, e, longe deles, de todos, vem com o acre a gravidade.
E anda-se rente ao chão, sem mesa, nem bar, nem riff, nem corda, nem pele, nem beijo.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
i like purple better now.
There's this nice milk sugar hater guy, he now calls me Wonderkid. Because of drunk conversations and things like this:
Red stuff — hot stuff. Like just fresh out of the oven. New stuff. New things and new people look red.
And Blue stuff — reminiscent, borrowed stuff. Like Placebo. Old and valuable things and people look blue.
And Purple — red and blue stuff, blended stuff, past and future. All mixed in and out. Peace and caos.
I'm now dazzled.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Effect:
I want love to
Roll me over slowly
Stick a knife inside me,
And twist it all around.
I want love to
Grab my fingers gently
Slam them in a doorway
Put my face into the ground
I want love to
Murder my own mother
And take her off to somewhere
Like hell or up above.
I want love to
Change my friends to enemies,
Change my friends to enemies
And show me how it's all my fault.
I wont let love disrupt, corrupt or interrupt me
I wont let love disrupt, corrupt or interrupt me
Yeah i wont let love disrupt, corrupt, or interrupt me anymore.
I want love to
Walk right up and bite me
Grab ahold of me and fight me
Leave me dying on the ground.
And i want love to
Split my mouth wide open and
Cover up my ears,
And never let me hear a sound.
I want love to,
Forget that you offended me
Or how you have defended me,
When everybody tore me down.
Yeah i want love to
Change my friends to enemies,
Change my friends to enemies
And show me how it's all my fault.
Yeah i wont let love disrupt, corrupt or interrupt me
I wont let love disrupt, corrupt or interrupt me
I wont let love disrupt, corrupt, or interrupt me anymore.
I want love to
Roll me over slowly
Stick a knife inside me,
And twist it all around.
I want love to
Grab my fingers gently
Slam them in a doorway
Put my face into the ground
I want love to
Murder my own mother
And take her off to somewhere
Like hell or up above.
I want love to
Change my friends to enemies,
Change my friends to enemies
And show me how it's all my fault.
I wont let love disrupt, corrupt or interrupt me
I wont let love disrupt, corrupt or interrupt me
Yeah i wont let love disrupt, corrupt, or interrupt me anymore.
I want love to
Walk right up and bite me
Grab ahold of me and fight me
Leave me dying on the ground.
And i want love to
Split my mouth wide open and
Cover up my ears,
And never let me hear a sound.
I want love to,
Forget that you offended me
Or how you have defended me,
When everybody tore me down.
Yeah i want love to
Change my friends to enemies,
Change my friends to enemies
And show me how it's all my fault.
Yeah i wont let love disrupt, corrupt or interrupt me
I wont let love disrupt, corrupt or interrupt me
I wont let love disrupt, corrupt, or interrupt me anymore.
Love Interruption, Jack White
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim
O Quereres, Caetano Veloso
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
ano velho
As coisas são contínuas. Pra mim.
Pra mim, a solene e cruel espontaneidade do calor e água é contínua;
não possui marcos, talvez picos e, às vezes, marcas.
Marcas de tirania ou histeria ou saudade ou de mobília velha
ou de diacronia.
Bem, não só da velha.
Pra mim, a solene e cruel espontaneidade do calor e água é contínua;
não possui marcos, talvez picos e, às vezes, marcas.
Marcas de tirania ou histeria ou saudade ou de mobília velha
ou de diacronia.
Bem, não só da velha.
Sem estrondos. Prefiro esperar pela primavera...
sábado, 17 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
quase
Quase pedi-lhe que ficasse. Não como nos velhos tempos, mas que simplesmente permanecesse ali na outra ponta do colchão.
Minha incoerência abriu as comportas; gotas e gotas advindas de uma gama de impressões diversas e controversas — vergonha, certeza e revolta aos abraços com conformismo, arrependimento e serenidade, além das frivolidades maçantes de cada dia, me fizeram arder os olhos.
Felizmente, foi um "quase". No contrário, pulariam os globos das órbitas se houvesse ainda o patético.
Minha incoerência abriu as comportas; gotas e gotas advindas de uma gama de impressões diversas e controversas — vergonha, certeza e revolta aos abraços com conformismo, arrependimento e serenidade, além das frivolidades maçantes de cada dia, me fizeram arder os olhos.
Felizmente, foi um "quase". No contrário, pulariam os globos das órbitas se houvesse ainda o patético.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
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